Marcha para o sucesso

Bicampeão brasileiro de luta olímpica na categoria cadete, Paulo Roberto Júnior vive a expectativa de seu 1º torneio internacional; sonho é seguir carreira militar.

O sonho do joseense Paulo Roberto da Costa Júnior, de 17 anos, é seguir carreira militar. Porém, paralelamente, também tem outra meta para a sua vida: se tornar um grande nome da luta olímpica brasileira. E os primeiros passos ele já deu. O bicampeonato nacional na categoria cadete, conquistado há duas semanas, em Praia Grande, credencia o jovem atleta de São José dos Campos a se permitir sonhar alto.

Tanto é que no dia 28 de junho estará em El Salvador, na América Central, para disputar o Pan-Americano cadete -- será sua primeira viagem internacional.

Para quem começou a fazer luta olímpica há apenas dois anos -- também é praticante de judô e jiu-jitsu (no qual já foi campeão paulista, este ano, e terceiro colocado no Mundial, em 2007) -- os resultados podem ser considerados surpreendentes.

E Paulo Roberto começou na luta meio que por acaso. "O Milton (Bastos, técnico da equipe joseense) me convidou para treinar a luta olímpica e ver como era. Depois, disputei o primeiro campeonato, gostei, e a partir disso procurei me especializar mais", disse o joseense.

Apesar da correria para conciliar os estudos com os treinamentos, Paulo Roberto diz que jamais pensou em parar de praticar as artes marciais.

A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida por ele ao vale paraibano.

vale paraibano -- Quando surgiu o seu interesse pela luta olímpica?

Paulo Roberto -- Eu treino judô e jiu-jitsu há cinco anos, sempre gostei dessas coisas. Daí o Milton (Bastos, técnico da equipe de Luta Olímpica da cidade) veio aqui para São José, há uns dois anos atrás, começou a dar aula para o meu professor de jiu-jitsu e me convidou para treinar a luta olímpica e ver como era. Então, eu gostei da movimentação, da pegada. Os golpes eram meio parecidos, eu disputei o primeiro campeonato, gostei e a partir disso procurei me especializar mais.

vp -- Você é bicampeão brasileiro na sua categoria. Qual das duas conquistas foi a mais difícil?

Paulo Roberto -- Eu acho que foi a do ano passado. Naquela época, eu ainda não estava tão dentro da luta olímpica, tão bem preparado, pois aquele foi apenas meu segundo campeonato. Antes, eu tinha lutado o Paulista e consegui a classificação para o Brasileiro. Então, fui mais ou menos na base do judô, fazendo mais força, um pouco travado nas lutas. E logo no primeiro confronto, fui lutar com um carioca, mais experiente, que me deu um golpe forte, e fiquei mais preocupado. Mas eu reverti o placar, ganhei dele, disputei mais outras duas lutas e fui campeão. Neste ano, eu já estava mais bem preparado, mais rápido nas lutas.

vp -- Quais são suas expectativas quanto a sua participação no Pan-Americano em El Salvador?

Paulo Roberto -- Eu quero surpreender lá. Estou com uma lesão no joelho e, por isso, pretendo dar um tempo nos treinamentos para me recuperar, voltar ao normal e me preparar mais intensamente. Assim, poderei mostrar melhor o nosso potencial aqui no Brasil.

vp -- Até agora, qual foi o momento mais marcante em sua carreira?

Paulo Roberto -- Com certeza foi agora, com a conquista do bicampeonato (Brasileiro), abrindo novas portas. Eu nunca viajei para fora do país e, através deste campeonato, eu me destaquei, o pessoal gostou e, por isso, este é o meu melhor momento.

vp -- E qual foi o pior?

Paulo Roberto -- Acho que foi no Paulista do ano passado, quando fui disputar o meu primeiro campeonato e ainda sofri uma contusão, ficando um bom tempo sem poder treinar. Como foi o primeiro torneio, eu fiz muita força, estava muito afoito. Só depois que eu consegui me recuperar para disputar o Brasileiro.

vp -- Alguma vez já pensou em desistir de lutar?

Paulo Roberto -- Não, nunca.

vp -- Você ainda está em idade escolar e tem uma rotina de estudos bem puxada. Como faz para conciliar com a luta olímpica?

Paulo Roberto -- É complicado, tenho que me desdobrar em cinco. Eu estudo das 7h45 às 17h35 e a escola é lá no Eugênio de Mello (distrito na zona leste). Lá, pego o ônibus, vou para a Vila Industrial, treino com o Milton e às vezes a gente sai de lá e vai treinar jiu-jitsu na cidade. Só depois eu vou para casa descansar, correr atrás da matéria, estudar. E dentro da escola procuro aproveitar bastante o tempo nas aulas para não ter que ficar acumulando tarefas para casa.

vp -- Os seus pais te apoiaram quando resolveu seguir o esporte?

Paulo Roberto -- Sim, principalmente a minha mãe, que é daquelas bem corujas. Quando eu chego de um campeonato, já tem um monte de gente esperando para me abraçar e me cumprimentar, pois ela se encarrega de dar as notícias e falar para a vizinhança toda.

vp -- Qual o 'segredo' para ser um bom lutador?

Paulo Roberto -- Dedicação, treino e vontade de aprender. Eu tento sugar o máximo do meu treinador, que é experiente e tem muita coisa para passar. Tento aproveitar cada momento do treino, render tudo que posso, manter a humildade e vontade de vencer também.

vp -- Quais são seus planos para o futuro?

Paulo Roberto -- Estou no terceiro ano (do Ensino Médio), vou prestar vestibular e já tenho em mente a carreira militar. É a área que eu gosto, que mais me identifico e lá dentro eu posso continuar praticando o esporte. Eles dão folga para a gente sair e treinar se eu for disputar um campeonato importante.
Treinos duram cerca de duas horas por dia
Treinos duram cerca de duas horas por dia

Para manter a boa forma na luta olímpica, Paulo Roberto da Costa Júnior treina cerca de duas horas por dia, sempre na parte da noite, já que estuda em período praticamente integral na escola da Embraer -- está no terceiro ano do Ensino Médio e prestará vestibular ainda este ano. Ele sai da escola, pega o ônibus e parte para o Centro Comunitário da Vila Industrial, onde treina sob orientação do técnico da equipe de São José dos Campos, Milton Bastos. Além dos treinos específicos, Paulo Roberto também faz a parte de musculação -- e ainda encontra tempo para treinar jiu-jitsu e judô, na academia Calasans Camargo.



Joseenses acumulam vários títulos na luta São José dos Campos

A cidade de São José dos Campos vem se destacando na luta olímpica nos últimos dois anos anos. Além de Paulo Roberto Júnior, a equipe joseense ainda tem outros competidores de ponta, como Cláudio Calasans Camargo Júnior e a catarinense Fernanda Souza do Amaral (que está em São José há dois anos), tricampeã brasileira e pentacampeã paulista, além de também treinar a equipe.

Calasans, inclusive, tem uma trajetória parecida com a de Paulo Roberto -- começou no judô e no jiu-jitsu, para depois tentar a sorte na luta olímpica.

Há dois anos na nova modalidade, Calasans já conquistou alguns títulos e, em abril, esteve na Europa, onde tentou, sem sucesso, obter uma inédita vaga para os Jogos Olímpicos de Pequim.

Outro atleta que desponta na cidade é Henrique Amaral, de apenas 12 anos -- ele já foi campeão paulista na categoria escolar.

Para o outro técnico da equipe joseense, Milton Bastos, a luta olímpica evoluiu muito na cidade nestes últimos dois anos. "Acredito que o principal motivo desse bom momento é a união que conseguimos entre os atletas de outras lutas, como o judô e o jiu-jitsu, que hoje estão todos juntos, como amigos", afirmou Bastos, que atualmente trabalha com cerca de 30 atletas no Centro Comunitário da Vila Industrial e também na Academia Calasans Camargo.

"Nossos atletas têm potencial e nomes como o Henrique e o Paulo Roberto poderão, sim, um dia participar de uma Olimpíada", disse ele, lembrando que Henrique Amaral vai passar um ano nos Estados Unidos.

"Será uma espécie de intercâmbio, que para o Henrique possa aprimorar ainda mais a sua luta", afirmou.

Fonte: Jornal Vale Paraibano
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